quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Rapto de Perséfone

Antes de ser a rainha dos subterrâneos, Perséfone era a moça mais bela da Terra. Era tão linda que não queria saber de mais nada, somente de sua própria beleza. Certo dia, passeando por entre os trigais dos campos de sua mãe – Deméter, deusa da terra e das plantações -, foi vista por Hades, deus dos subterrâneos, das riquezas e da mansão dos mortos. Ao ver a menina, Hades sentiu um vento conhecido.
Este vento era Eros, o deus do amor e das paixões que o envolvia completamente. O deus dos mortos fora totalmente arrebatado de amores pela jovem Perséfone, que mesmo sendo imortal, sentiu um arrepio de morte. Era Tânatos, o deus da morte, que passeava junto a ela. Ele quem caminhava quase sempre ao lado de Hades. O poderoso deus dos subterrâneos, tomado de paixão não teve dúvidas: raptou a bela moça levando-a consigo na sua carruagem para dentro da terra, aproveitando-se do grande poder que tinha por ser um dos três maiores deuses gregos. A pobre Perséfone, infeliz, nada fez para livrar-se do deus.

Deméter, mãe de Perséfone, ficou desesperada com o rapto de sua filha. Sendo ela também uma poderosa deusa usou e abusou do poder que tinha tanto quanto ou mais que ele: deusa da terra, fez com que as plantas não germinassem mais e fez surgir na terra um árido e terrível deserto. A humanidade, no entanto, era quem mais sofria com esta decisão. Sentia cada vez mais perto a presença de Tânatos, soprando um ar pesaroso que arrepiava a pele. Os seres humanos, que a exemplo de Perséfone, pensavam cada um somente em si, iam morrendo de fome, um a um, sem nada fazer, esperando apenas uma decisão dos poderosos para resolver esse impasse.

Tanto Perséfone quanto a humanidade já tinham se conformado com a situação. A menina, em alguns momentos, parecia até gostar de ser a esposa do deus dos mortos, enquanto que alguns seres humanos pareciam gostar de ver morrer seus inimigos, mesmo sabendo que iriam morrer em seguida. Ainda assim, a linda menina sofria muito, longe dos campos e de sua mãe, enquanto a humanidade ia desaparecendo. Por sorte destes conformados é que o impasse resultou em uma disputa e rixa particular entre os dois deuses – Deméter x Hades - que chamou a atenção do mais poderoso dos deuses gregos: Zeus. Zeus resolveu mediar a disputa, pois a humanidade, com quem tanto gostava de brincar, estava sumindo; então, para que isso não acontecesse, resolveu agradar aos dois inimigos: Perséfone iria passar meio ano com Hades, seu esposo, nos subterrâneos, sendo a rainha dos mortos, e meio ano com Deméter, sua mãe.
Desde então, Deméter faz com que as plantas germinem na primavera e dêem frutos no verão, metade do ano em que está acompanhada por Perséfone. Na outra metade, porém, em que sua filha está com Hades, as plantas secam no outono e dormem no inverno.



Adaptado de HAMILTON, Edith. Mitologias. São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora, 1992.

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